Evento Anual apresenta resultados dos inventários de emissões de 128 organizações

Neste ano, os inventários das 128 organizações membro do Programa Brasileiro GHG Protocol foram publicados no Registro Público de Emissões  – plataforma virtual que contém todos os inventários dos membros do Programa desde sua fundação, em 2008. Além da apresentação dos resultados, Evento Anual contou com um painel de especialistas que discutiu a relevância da gestão de gases do efeito estufa na cadeia de fornecedores.

GVces, 19/08/2014
Bruno Toledo

Os resultados dos seis anos de atividades do Programa Brasileiro GHG Protocol mostram como a gestão corporativa de emissões de gases de efeito estufa (GEE) evoluiu no país desde 2008. Cada vez mais empresas e instituições públicas encaram o desafio de analisar suas emissões de GEE, procurando enxergar não apenas necessidades de redução, mas também oportunidades de gestão que podem trazer ganhos tangíveis para o negócio.

Desde a sua criação, em 2008, o Programa Brasileiro GHG Protocol passou de 27 membros para 128, um crescimento de 457% em seis anos. Sendo que, somente em relação ao ano passado, o grupo de membros do Programa aumentou 20%.

Para celebrar essa evolução e apresentar os resultados dos inventários de 2013, o Programa promoveu no último dia 07 o seu Evento Anual, no Hotel Intercontinental Alameda Santos, em São Paulo, reunindo mais de 350 representantes de empresas, poder público, sociedade civil e imprensa.

Os inventários

O Programa apresentou os resultados dos inventários de emissões referentes a 2013 de 128 organizações nacionais, espalhadas por 16 setores e 57 subsetores da economia brasileira.

Entre as matrizes, controladas e unidades, as organizações membro do Programa publicaram 273 inventários ao todo neste ano, uma vez que uma organização pode publicar um inventário para cada uma de suas estruturas no Registro Público de Emissões.

A qualificação dos inventários também apresentou evolução: dentre os 128 membros do Programa, 48% publicaram seus inventários completos e verificados por terceira parte, obtendo assim o Selo Ouro. Esta é a maior parcela de inventários verificados desde a criação do Programa, quando os inventários com Selo Ouro representaram apenas 9%. A soma da quantidade de inventários publicados com o Selo Ouro com os inventários que obtiveram o Selo Prata (qualificação dada aos inventários completos, porém não verificados) mostram que 92% dos inventários publicados em 2014 incluíram todas as fontes de emissão de escopo 1 e 2 da organização.

O número de inventários (273) é maior que o de empresas (128), pois algumas organizações optaram por relatar suas emissões desagregadas por matrizes, controladas e unidades. "O relato desagregado permite que as empresas tenham uma gestão mais eficiente de suas emissões, com um controle melhor sobre a informação referente a essas emissões, além de ter melhor condição para atender critérios legais de redução", explica Ricardo Dinato, pesquisador do Programa. Neste ano, 20% das organizações membro optaram por fazer este tipo de relato de suas emissões.

Todos os inventários estão disponíveis na plataforma virtual do Registro Público de Emissões.

 

Números 

Comparadas com as emissões nacionais de GEE em 2013, e excluindo o setor de mudança de uso do solo e florestas que possui relevante influência do desmatamento ilegal, as emissões dos membros do Programa Brasileiro GHG Protocol representaram 8,9% do total das emissões nacionais (confira evolução no gráfico acima) .

Em 2013, as organizações do Programa emitiram diretamente 92,4 milhões de toneladas de CO2 equivalente (tCO2e), 29% a mais que em 2012. Este fato se deve, principalmente, ao aumento do número de membros do Programa.

Além das emissões diretas (escopo 1), os inventários também apresentam as emissões indiretas decorrentes do consumo de energia adquirida (escopo 2) – 8,79 milhões tCO2e – e as outras emissões indiretas que ocorrem ao longo da cadeia de valor da organização (escopo 3) – 293,72 milhões tCO2e. As emissões dessa última categoria são de contabilização e relato opcionais, mas 89% dos membros contabilizaram ao menos uma fonte de emissão indireta.

Os setores mais representativos dentre os membros do Programa foram os da indústria de transformação (32%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (12%), e de eletricidade e gás (9%).

Clique aqui e confira as apresentações feitas durante o Evento Anual.

Verificação dos inventários

O Evento Anual também apresentou algumas novidades para o próximo ciclo de atividades. A partir de 2015, para que as empresas possam obter o Selo Ouro em seus inventários, estes precisarão ser completos e verificados por um organismo acreditado pelo Inmetro, além de seguir o modelo de declaração de verificação do Programa – disponível em seu site.

No começo de 2014, o Inmetro acreditou 9 organismos para fazer verificação de inventários de emissões de GEE no Programa Brasileiro GHG Protocol. Esse anúncio fortaleceu ainda mais o mercado de verificação, que deverá crescer nos próximos anos. Para Beatriz Kiss, coordenadora do Programa, esta é a hora de avançar mais nas fronteiras da gestão das emissões. "A verificação dos inventários é opcional dentro do Programa, e continuará sendo, mas ela só traz vantagens para as organizações, pois reduz os erros e garante melhor qualidade dos dados calculados, aumenta a transparência no relato e permite ter melhor condição na hora de tomar alguma decisão de gestão de emissões".

Da esquerda para direita: Paulo Branco, vice-coordenador do GVces; Rachel Biderman, diretora do WRI Brasil; Juliana Lopes, diretora do CDP Latin America; Suenia Souza, gerente do Centro Sebrae de Sustentabilidade; e Beatriz Kiss, coordenadora do Programa Brasileiro GHG Protocol 

Gestão de emissões na cadeia de valor

Além dos resultados dos inventários 2013, o Evento Anual do Programa Brasileiro GHG Protocol também contou com um painel que discutiu os principais aspectos da gestão de emissões de GEE na cadeia de valor das organizações e o impacto das regulações vigentes. O painel contou com a presença de Rachel Biderman, diretora executiva do World Resources Institute (WRI) no Brasil; Juliana Lopes, diretora do CDP Latin America; e Suenia Souza, gerente do Centro Sebrae de Sustentabilidade.

Um dos pontos abordados pelo painel foi como criar incentivos, do ponto de vista de políticas públicas, para atrair empresas de médio e pequeno porte à gestão de emissões no país. Para Rachel Biderman, um incentivo importante seria uma reforma tributária. "Para os pequenos e micro, esse tipo de incentivo é ainda mais importante. Em alguns setores, temos certos incentivos nesse perfil, principalmente através de crédito, como o Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono), mas eles ainda não são competitivos". Segundo Rachel, precisamos desenhar um modelo que torne essas pequenas indústrias mais competitivas no baixo carbono, mas alerta: "estamos bem atrasados nessa agenda".

Para Juliana Lopes, é importante que o diálogo ao longo da cadeia de valor seja colaborativo no que diz respeito à gestão das emissões. "É importante que a empresa crie incentivos para que suas fornecedoras possam se engajar no tema".

No caso de micro e pequenas empresas, esse esforço precisa ser ainda mais colaborativo, defende Suenia Souza. "Trabalhar com micro e pequenas não pode ser de forma punitiva, precisa ser através da colaboração, é quase uma responsabilidade social". Segundo ela, temos um desafio de trabalhar quantidade e escala quando tratamos de empresas de pequeno porte no Brasil, que representam mais de 99% do universo empresarial do país - por isso a necessidade de um ambiente regulatório diferenciado.

Fotos: Yantra

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