Programa Brasileiro GHG Protocol reúne empresas para treinamento em elaboração de inventários de emissões

Profissionais de diversos setores das organizações membro do Programa participaram de sessões de capacitação no uso do método GHG Protocol para elaboração de inventários corporativos de gases de efeito estufa

GVces, 28/11/2014

Bruno Toledo

Fazer inventários corporativos de gases de efeito estufa não se relaciona apenas com a necessidade – atual ou futura – das empresas brasileiras em monitorar com mais cuidado o seu papel na crise climática moderna. Mais do que estar prontas para atender a requisitos legais, a elaboração desse tipo de documento permite às organizações ter um olhar aprofundado sobre suas próprias operações, o que abre uma janela de oportunidades que vão além da simples contabilização de emissões.

Isso tem ajudado a tornar o tema da gestão de emissões cada vez mais presente dentro das discussões estratégicas das empresas brasileiras, e o Programa Brasileiro GHG Protocol tem sido uma das frentes mais destacadas nesse esforço, capacitando as organizações na contabilização de suas próprias emissões e oferecendo a elas ferramentas adaptadas ao contexto brasileiro. Exatamente por isso, o Programa se tornou a principal iniciativa de capacitação de empresas para gestão de emissões no Brasil.

Para abrir mais um ciclo de atividades, o Programa Brasileiro realizou novas sessões de treinamento para profissionais das organizações membro, realizadas nos dias 13 e 14 de novembro na Fundação Getulio Vargas de São Paulo. Além de representantes de membros veteranos, o treinamento também teve a participação de profissionais de novas organizações membro, que já se preparam para o esforço de elaborar seu inventário de emissões relativo ao ano de 2014.


“O treinamento foi muito importante para que nós pudéssemos conhecer melhor o método do GHG Protocol, o mais conhecido e confiável disponível atualmente”, explica Adriane Mara Ribeiro, do Grupo Positivo, uma das novas organizações membro do Programa. “O treinamento nos ajudou a saber como se faz o mapeamento e o levantamento dos dados e como inseri-los na ferramenta para cálculo das emissões”.

O trabalho do Programa Brasileiro também é um diferencial importante para as organizações que estão começando a trilhar no caminho para a gestão de suas emissões. “A equipe do Programa é muito engajada e conduziu o treinamento de forma interessante e didática, deixando claro para nós como podemos fazer a gestão do inventário dentro da empresa, sem a necessidade de uma consultoria”, aponta João Francisco Zene, especialista de sustentabilidade da GVT, também novo membro do Programa. “Tem muita gente que ainda vê o inventário como um bicho de sete cabeças, mas quando você adere a um programa tão estruturado, como o Programa Brasileiro GHG Protocol, a gente consegue enxergar que existem possibilidades interessantes para fazer a gestão das emissões dentro da própria empresa”.

Para Zene, o treinamento também permite saber mais sobre como outras empresas estão enfrentando os desafios comuns da gestão de emissões. “Além de ter essa interação, que facilita na hora de entender novos padrões e metodologias, temos esse contato com outras empresas que estão fazendo a mesma coisa, o que nos oferece um benchmarking legal”.

Um desses benchmarking foi o caso da JBS, uma das organizações membro do Programa, que apresentou detalhes de sua estratégia de otimização e integração de modais de transporte para escoar seus produtos para exportação, um esforço que visa diminuir o uso de transporte rodoviário e aumentar o uso de outros tipos de transporte, em particular o ferroviário.

Para Alexandre Kavatti, especialista de sustentabilidade da JBS, fazer o inventário dentro da empresa permite enxergar oportunidades importantes de novos negócios. “Desde 2012, quando aderimos ao Programa, fazemos inventários dentro da empresa, o que nos ajudou a reduzir os custos que tínhamos com a contratação de consultoria externa e nos permitiu desenvolver conhecimento sobre a própria empresa”, explica Kavatti. “Com esse conhecimento interno, conseguimos identificar possibilidades de gestão e desenvolver projetos de redução, como esse que apresentamos aqui no treinamento”.


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